
O ecossistema de legaltechs
De fato, a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) tem como propósito conectar o universo jurídico à realidade 4.0. Para isso, organiza eventos, fomenta certificações e promove um ambiente regulatório favorável. Dessa maneira, escritórios e departamentos jurídicos podem se adaptar ao novo cenário tecnológico.
Além disso, o crescimento do setor é expressivo. Entre 2022 e 2025, o número de legaltechs no Brasil aumentou cerca de 50%, ultrapassando 600 empresas ativas. Em paralelo, os investimentos também cresceram: em 2024, uma única startup captou R$ 126 milhões. Portanto, esse avanço se deve a soluções como automação de documentos, gestão eletrônica de processos, jurimetria e inteligência artificial.
Tendências tecnológicas
Consequentemente, o ecossistema jurídico vem incorporando tecnologias que transformam a forma de atuação dos advogados. O relatório de tendências de 2025 da Deep Legal elenca as seguintes inovações:
- IA preditiva: sistemas capazes de prever desfechos judiciais com até 90% de precisão, auxiliando na análise de riscos.
- Jurimetria e análise de dados: estudos de padrões históricos permitem estimar valores de acordos e orientar estratégias processuais.
- Automação de tarefas: softwares que reduzem em até 90% o tempo gasto em revisão de documentos e due diligence.
- Compliance inteligente: monitoramento automatizado de alterações normativas e riscos regulatórios.
- Suporte em tempo real: ferramentas de IA e realidade aumentada atuando durante audiências e conferências.
- Digitalização dos tribunais: maior celeridade com processos eletrônicos e plataformas em nuvem.
- Ética e transparência: preocupação crescente com supervisão humana e governança de algoritmos.
Em resumo, a tabela abaixo sintetiza as tendências e seus benefícios:
| Tendência | Aplicações | Benefícios |
|---|---|---|
| IA preditiva | Estimativa de desfechos e acordos | Maior precisão estratégica |
| Jurimetria | Análise de padrões e prazos | Gestão eficiente de recursos |
| Automação | Contratos, petições, pesquisas | Economia de tempo e custos |
| Compliance | Monitoramento regulatório | Redução de riscos jurídicos |
| Nuvem | Gestão documental | Colaboração remota |
Digitalização dos tribunais e o Programa Justiça 4.0
Paralelamente à modernização dos escritórios, o Judiciário brasileiro também avança. O Juízo 100% Digital, instituído pelo CNJ em 2020, permite que todos os atos processuais sejam realizados eletronicamente, desde petições até audiências. Além disso, os Núcleos de Justiça 4.0 funcionam sem sede física, ampliando o acesso da população.

Publicidade e marketing jurídico: Provimento 205/2021 da OAB
Com a maior presença digital dos advogados, surgem dúvidas sobre limites éticos. Nesse sentido, o Provimento 205/2021 da OAB atualizou as regras de publicidade. O texto autoriza, por exemplo, o uso de redes sociais, a divulgação de qualificações e a publicação de conteúdo educativo. Contudo, veda práticas como captação ativa de clientes, promessa de resultados e promoção de litígios desnecessários.
Proteção de dados e inteligência artificial
Por sua vez, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei 13.709/2018) impõe obrigações específicas para escritórios que coletam e armazenam informações sensíveis. Assim, princípios como finalidade, necessidade, transparência e segurança se tornaram fundamentais no meio jurídico.
Decisões automatizadas e direito à explicação
Além disso, o art. 20 da LGPD garante ao titular o direito de solicitar revisão de decisões tomadas unicamente por algoritmos. Logo, escritórios precisam estar preparados para fornecer informações claras sobre critérios e procedimentos utilizados. Entretanto, o dispositivo carece de regulamentação detalhada, o que ainda gera insegurança jurídica.

Desafios éticos e responsabilidade profissional
Portanto, embora os benefícios sejam claros, a tecnologia traz também riscos éticos. Questões como vieses algorítmicos, desigualdade digital e proteção de dados exigem atenção contínua. Ademais, advogados precisam desenvolver novas competências em análise de dados e legal operations para não perder competitividade.

Considerações finais
Em conclusão, a interseção entre advocacia e tecnologia deixou de ser uma tendência e tornou-se realidade inevitável. Afinal, o crescimento das legaltechs, a digitalização dos tribunais e a regulação ética já moldam o futuro do setor jurídico brasileiro. Por isso, advogados e estudantes que combinam conhecimento jurídico com competências tecnológicas terão vantagem competitiva nos próximos anos.
Por Juan Mendes, estudante de Sistemas de Informação no UNASP, apaixonado por tecnologia e pelo futuro da advocacia.
Nota ética: este artigo tem caráter informativo, sem promessa de resultado, em conformidade com o Provimento 205/2021 da OAB.






